Cardápio traz somente ingredientes da região, em releituras de pratos caiçaras.

A chef Renata Vanzetto coloca em prática a partir de 5 de novembro um projeto antigo: um menu degustação feito exclusivamente com ingredientes orgânicos de produtores locais. O cardápio de seis pratos (R$ 110), batizado como Cozinha de Raiz, será servido até o dia 25 de fevereiro de 2012 na casa da chef em Ilhabela, localizada em frente ao Marakuthai Ilhabela. Ao lado da amiga Mariana Bueno, Renata irá servir apenas 18 comensais por noite, e somente mediante reserva antecipada pelo telefone (12) 9239-2122.

O clima informal é reforçado pela ambientação, os clientes serão servidos no quintal da casa da chef, debaixo de uma jaqueira, em uma mesa para seis pessoas, uma para quatro pessoas e quatro mesas para duas pessoas e pela pequena equipe de cinco pessoas, todos amigos de Renata Vanzetto. A carta de bebidas é resumida a seis vinhos, escolhidos de acordo com o menu, um tipo de cerveja, um suco do dia e uma caipirinha.

Ingredientes e louças locais O menu é formado por pratos criados pela chef com referências à sua infância em Ilhabela. Renata se aliou a produtores e comunidades locais para obter matérias-primas dentro da própria ilha, inspirada em boa medida, por sua experiência no premiado restaurante Noma, do chef René Redzepi (eleito por dois anos seguidos o melhor restaurante do mundo de acordo com a revista britânica Restaurant).

O biólogo Renato Spiritus participa da empreitada com uma pesquisa sobre os ingredientes do local. Os peixes servidos são pescados na costa de Ilhabela, principalmente nas praias de Bonete e Castelhanos. Por sua vez, um produtor com uma fazenda orgânica na ilha vai fornecer produtos como vegetais e carnes. A relação com o local também está presente na louça, desenhada especialmente pela artista local Barbara Nocker.

MENU COZINHA DE RAIZ

Creme de berinjela com pó de shitake e raízes;

Beterrabas cruas marinadas por 12 dias;

Tartar de avestruz com molho de macho da tia Rejane;

Mexilhão a vinagrete;

Ostra com pérola negra;

Bochecha de peixe com camarao frito;

Saladinha de folhas, flores e brotos da horta com gelatina de maracujá, manga e coalhada seca;

O galinheiro, milho, pato , ovo caipira, sementes e fubá;

Lagostins com pirão dele mesmo, tartar de banana com coentro e pure de taioba;

Queijo e a odiada jaca;

Sorvete de pistache com calda de flores e framboesa, pétalas de rosa em conserva e caramelo de semente de girassol;

Licor de banana.

Fone para reservas :  (12) 9239-2122.

MARAKUTHAI SERVE MENU BASEADO EM VIAGENS DA CHEF RENATA VANZETTO.

Cardápio é inspirado na temporada da chef no premiado Noma, do chef René Redzepi

Em junho e julho deste ano, a chef Renata Vanzetto, do Marakuthai, fez um estágio de 20 dias no restaurante dinamarquês Noma, eleito por dois anos seguidos o melhor restaurante do mundo de acordo com a respeitada lista da revista britânica Restaurant. A jovem chef, de 22 anos, foi a primeira brasileira a trabalhar na cozinha do chef René Redzepi, e, ao retornar ao Brasil, preparou um menu especial inspirado em sua experiência no premiado restaurante e em tudo o que ela viveu e comeu enquanto trabalhava com Redzepi.

O cardápio exclusivo, harmonizado com ótimos vinhos da importadora Mistral, é recheado de pequenos detalhes: os talheres são tailandeses  por exemplo. O menu será servido somente com reserva na unidade paulistana do Marakuthai todas as terças e quartas-feira, durante o jantar.

Menu

Para recepcionar os clientes, os comensais brindam com a champanhe francesa Pol Roger Brut, drink oficial do casamento do príncipe com a Kate Midlletton e a preferida dos exigentes especialistas ingleses. Para começar, a chef preparou um creme de berinjela com pó de shitake, todas as raízes e carpaccio de aspargos, um snack de tartar de avestruz com molho de anchovas e mini agrião, uma cebolinha inteira surpresa e um prato com beterraba orgânica marinada.

Como entradas, serão servidas ostras com pérola negra e cubo de pato com redução de conhaque e laranjinha com ameixa seca. Para o prato principal, a chef oferece peixe com vieiras em fundo de camarões, batata doce ao murro e pupunha cru. Tudo harmonizado com o vinho francês Jolivet Sancerre. E, como sobremesa, Renata Vanzetto propõe duas sugestões: o abacaxi caramelizado com sorvete de gengibre com sorvete de capim-santo e espuminha de iogurte com casca de limão, e o sorvete de tapioca com goiabada, redução de vinho do Porto, tomilho e tuille de pistache. Para finalizar, será servido xícaras de café gelado com licor Bailey’s.

O menu completo, com uma garrafa da champagne Pol Roger, uma garrafa do vinho Pascal Jolivet Sancerre Rouge 2008 e uma taça ( por pessoa ) do vinho de sobremesa Catena Semillon Doux 2007, irá custar R$ 240 por pessoa (para uma mesa fechada de quatro pessoas). As reservas devem ser feitas com antecedência pelos telefones (11) 3062-7556 e (11) 3061-1015.

Reserve sua mesa e solicite o “Menu minha viagem“.

RESTAURANTE MARAKUTHAI SP :  AL. ITU 1618 – JARDINS – 30 61 10 15   –   30 62 75 56.

Quantos cozinheiros ao redor do planeta não sonham em estagiar no dinamarquês Noma, eleito o restaurante número 1 do mundo pela revista inglesa Restaurant ? E ter a possibilidade de, ainda que por um curto período, aprender com o chef René Redzepi, em Copenhague, as técnicas culinárias que colocaram a Dinamarca no mapa-múndi da gastronomia?

Pois bem, aqui mesmo em São Paulo, a chef Renata Vanzetto, dona do moderninho Marakuthai, conseguiu esse feito. Ela passou de 28 de junho a 15 de julho estagiando no Noma. Mais do que isso, levou junto a prima, Aline Camargo, responsável pelo bufê Marakuthai, em Ilhabela, para enfrentar o batente com ela. O restaurante consagrado recebe 25 estagiários de todas as partes do mundo. Dos colegas de Renata, 22 eram homens.

O desejo aparentemente impossível de ser a primeira brasileira a estagiar no restaurante nórdico aconteceu mais fácil do que ela imaginou. Como? Renata resolveu desafiar a sorte em janeiro ao enviar um e-mail contando sua história e se candidatando a uma vaga. De imediato, recebeu uma resposta-padrão nada animadora: a fila era de dois anos e seu e-mail seria lido em até seis meses.

Um novo e-mail chegou no dia seguinte e, para surpresa dela, com boas novas. Tinham gostado do que havia descrito e queriam recebê-la o quanto antes. Foi assim que no final de junho a jovem de 22 anos embarcou para passar dezoito dias por lá. Bem, você quer saber qual é o e-mail? Ela jura que escreveu para noma@noma.dk.

Renata conta que as jornadas de trabalho eram longas, com cerca de dezesseis horas. “Ao fim do dia, me sentia exausta”, revela. Também fazia tarefas que quem tem título de chef não gosta de enfrentar. Encarregou-se “de limpar a cozinha e servir as mesas”. Também limpou navajas ou razor clams, deliciosos frutos do mar. “Era aflitivo, elas ficavam se contorcendo em nossas mãos.” Renata se lembra com mais saudade de colher ervas na praia e camomila selvagem num pasto.

Em suas palavras, essa foi uma “experiência surreal”, que ela decidiu compartilhar comigo e com você:

A chegada

Meu primeiro dia no Noma foi em 28 de junho. Esperava um ambiente formal, com pessoas mais velhas e com uma postura muito séria. Fui, porém, recebida por um rapaz jovem, com o corpo totalmente tatuado. Cheguei a achar graça da situação.

Os colegas

Os estagiários eram das mais diversas nacionalidades, pessoas de todo o mundo. No período em que estive estagiando, a equipe era composta por gente do México, Austrália, França, Itália, Estados Unidos, Irlanda, Japão e Espanha.

Tarefas de uma estagiária

Na parte superior do restaurante, localiza-se uma cozinha fria, na qual fica a maioria dos estagiários. Ali, são recebidos diariamente muitos brotos, flores e ervas. Estes itens são colhidos, muitas vezes, pelos próprios funcionários na área ao redor de Copenhague. Cabe aos estagiários limpá-los, uma tarefa que demanda cerca de seis horas.

Eu, por duas vezes, fui acompanhar e fazer a colheita de camomila selvagem. Encontrada em um campo de morangos, a camomila tem origem em um local incrivelmente lindo. Colher os ingredientes, que serão utilizados no preparo de pratos daquele mesmo dia, é incrível.

A importância concedida a cada item usado no restaurante é impressionante. Tudo é muito fresco. Justamente por isso, são pouquíssimos os ingredientes utilizados no Noma que também são encontrados no Brasil.

Passei por diversas tarefas, sempre como estagiária, desde limpar a cozinha, ritual que acontece cinco vezes ao dia, até servir as mesas. Fiz também produção e montagem de snacks na confeitaria. Eram servidos dez tipos diferentes antes do menu degustação.

Exclusividade e equipe

O Noma é um restaurante exclusivo. São apenas 35 lugares para os clientes. Mas a equipe que cuida de todos os preparativos é enorme, composta por 25 estagiários e mais de quinze cozinheiros. Dividido em várias áreas, cozinha quente, cozinha fria, confeitaria 1, confeitaria 2 e salão, o Noma dá início as suas atividades às 6h da manhã. Bem cedo, quatro funcionários começam a preparação dos molhos e pães.

O cliente é rei

A cobrança pelo serviço era rígida, estressante. Eram muitas responsabilidades e a pressão, enorme. Aconteciam três reuniões por dia com a equipe, uma antes do almoço, outra antes do jantar e a última, após o expediente. Nelas, recebíamos informações sobre os clientes, quem eles eram, o que comiam, o que não comiam, se eram novos na casa, tudo o que era possível para tratá-los como verdadeiros reis, o que é habitual no Noma.

Receitas em debate e a bicicleta

Uma curiosidade dos sábados à noite é a realização de um Project. Depois do serviço, quem quiser apresenta um prato, toda a equipe prova e debate sobre os ingredientes, consistência, sabores. É um exercício muito legal, um aprendizado sem comparações. Depois desse “ritual”, o René dá uma cerveja para cada um e vai embora de bicicleta. Esta situação, sim, é muito engraçada!

O número 7 do mundo

Ao descobrir que éramos brasileiras, eu e minha prima Aline, René mostrou-se surpreso. Não acreditou ser possível que nós duas o conhecêssemos. Parecia não ter ideia da fama que tem. Gostou muito de saber de nossa nacionalidade e aproveitou para dizer que admira Alex Atala – chef do restaurante D.O.M. (eleito neste ano o sétimo do ranking da revista Restaurant).

Reconhecida por uma cliente

Em uma oportunidade fui servir uma mesa de brasileiros e uma das senhoras me reconheceu, falou sobre o meu restaurante, o Marakuthai. Foi ótimo, pois o René se interessou, acessou o Google e pesquisou sobre a minha história.

O Noma e René Redzepi por Renata Vanzetto

São muitas as qualidades que tornam este restaurante tão conceituado. Os princípios adotados pelo chef René Redzepi são os alicerces de tudo que o Noma tem conquistado, como o título de nº 1 do mundo na premiação inglesa World’s 50 Best Restaurants.

A valorização e respeito dados a todas as pessoas que trabalham no Noma é singular. Cada  cozinheiro escolhe um lugar do mundo no qual tenha interesse de estagiar e René paga o hotel, as passagens. Ou seja, tudo que for necessário para o profissional se aperfeiçoar. O dia em que eu vi René mais bravo foi quando a comida, servida aos funcionários, não estava boa. Ele ficou muito irritado e chamou a atenção do responsável por esse desrespeito.

René tem uma visão de cozinha que, acredito, nunca foi explorada. Ele é extremamente interessante e inteligente. Faz questão que todos os integrantes da equipe entendam que ele vê a cozinha como poesia e passem a compartilhar desse pensamento.

Por isso, os dias que passei no Noma foram de muito trabalho e aprendizado. Agregaram experiências inesquecíveis à minha história e irão repercutir por muito tempo em minhas escolhas e no meu amadurecimento.

http://vejasp.abril.com.br/blogs/arnaldo-lorencato/2011/07/23/dentro-da-cozinha-do-restaurante-numero-1-do-mundo/